sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A dor


Não! Isso não pode estar acontecendo. Meus joelhos cederam e eu caí com eles no chão. Minha cabeça se pôs entre as palmas de minha mãos. As lágrima corriam feito um rio pelo meu rosto ardente. Era difícil respirar, parecia que uma bigorna pressionava meu peio impedindo que o ar circulasse. Isso não podia estar acontecendo comigo. Eu lutava entre gemidos e soluços pra fazer o ar entrar e sair. Não havia posição para meu corpo. Eu não conseguia me levantar, então me joguei de lado e caí deitada no chão, encolhida como um feto. Eu não conseguia raciocinar, tão grande era a dor. A única coisa que eu pensava era: “Tire isso de mim, me leve embora, eu não quero mais viver, não posso aguentar! Me deixe morrer, por favor. Faça meu coração parar de bater.” Como pode ser tão grande essa dor e meu coração ainda assim bater? Eu sentia que ele lutava para permanecer assim, lutava contra a minha vontade. “Me deixe morrer, por favor, tire essa dor de mim.” Eu ouvia vozes ao meu redor, mas nada do que falavam fazia sentido algum. Tentavam me puxar pelo braço, me tirar do chão frio, mas eu não queria, eu não podia. Tudo que eu sempre quis, tudo na minha vida, estava acabado. A razão pela qual meus dia passavam não existia mais. Eu senti alguém levantar a minha cabeça e enfiar um comprimido pela minha boca, garganta a baixo. Em alguns minutos meus olhos começaram a pesar, minha mente já não pensava, eu me perguntei se era assim que se morria. Torci pra que fosse, enquanto todo o resto desaparecia por de trás das minhas pálpebras.

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